Procedimento operacional padrão


Objetivos

O posicionamento terapêutico busca simular a postura intra-uterina em contenção e flexão gentil das extremidades com a cabeça e membros orientados na linha média proporcionando organização e conforto para o recém-nascido.

Definições

O posicionamento terapêutico provê o alinhamento estrutural necessário e a aquisição do controle motor adequado permitindo um desenvolvimento motor e de habilidades exploratórias ótimo.

Vantagens Clínicas: fácil acesso ao bebê para os cuidados médicos; posição recomendada para diminuir o risco da Síndrome de Morte Súbita.

Desvantagens Clínicas: menor tensão arterial de oxigênio, complacência pulmonar e volume corrente quando comparada ao decúbito ventral, maior incidência de refluxo do que em decúbito ventral, maior risco de aspiração, maior gasto energético do que em decúbito ventral.

Vantagens Desenvolvimentais: facilita a exploração visual, facilita o contato social face-a-face, cabeça posicionada na linha média reduz o achatamento lateral do crânio.

Desvantagens Desenvolvimentais: favorece o tônus extensor podendo levar a hiperextensão de cabeça, pescoço e ombros, facilita o desenvolvimento de deformidades posicionais em rotação externa de membros superiores e inferiores, achatamento posterior do crânio e atraso na aquisição de habilidades motoras.

Etapas do procedimento
Cabeça deve ser posicionada na linha média, sobre um coxim ou travesseiro, mas o mesmo não deve se estender até a altura dos mamilos. Deve-se evitar a flexão e extensão cervical excessiva. A cabeça deve estar alinhada com o tronco na linha média.

As extremidades superiores devem estar em contato com o corpo, os ombros gentilmente rodados (internamente) e os cotovelos fletidos, deve-se utilizar um rolo (ninho) para dar suporte a esta posição.

Os quadris devem estar parcialmente fletidos e aduzidos, em torno da linha média.

Os joelhos devem estar fletidos com os pés dentro do rolo (do ninho) ao invés do rolo em baixo dos joelhos, o que pode comprometer a circulação e não permite que a criança utilize o contato dos pés com a superfície do rolo como uma estratégia auto-regulatória.

Deve-se evitar força excessiva.

Se não houver tosse eficaz espontânea ou provocada, sinal de deglutição da secreção ou melhora da ausculta respiratória a técnica deve ser seguida de aspiração de vias aéreas superiores.

Avaliar estado geral, sinais vitais e ausculta respiratória.

Posicionar o neonato no leito e acalmá-lo com o toque e o som da sua voz.

Higienizar as mãos conforme orientações da CCIH e fazer anotações relativas ao procedimento.

Periodicidade

Nas primeiras 24 horas de internação na unidade neonatal, em bebês muito instáveis clinicamente e de acordo com o período de mudança de decúbito em bebês clinicamente estáveis.

Indicações

Leva ao atraso das aquisições motoras;

Dificulta o movimento de alcance;

Favorece a hiperextensão cervical;

Predispõe à obstrução do retorno venoso cerebral quando a cabeça cai para o lado.

Item de controle:
Diminuição das sequelas desenvolvimentais.

Ausência das escaras de posicionamento.

Ausência de deformidades ósseas.

As mudanças regulares de decúbito são de vital importância, pois promovem a drenagem postural de secreções brônquicas; melhoram a ventilação e a mecânica respiratória; afetam o desenvolvimento do sistema neuromuscular; previnem deformidades de crânio, face e outros e promovem melhor organização dos estados comportamentais do RN.

Tempo para mudança de decúbito deve variar de 2 a 4 horas.

Presença de atelectasia e áreas hipoventiladas não contraindicam o método.