Gravidez ectópica

Fonte: Guia do bebê

Corresponde à nidação (é o processo de implantação do óvulo fecundado na parede do endométrio) do ovo fora da cavidade uterina, e incide em 1,5 a 2% de todas as gestações.

A gravidez tubária responde por 95% dos casos.

Fora do útero, pode se desenvolver nas trompas (ístmica, ampular, infundibular ou fimbriária), no peritônio (abdominal), no ligamento largo (intraligamentar) e no ovário (ovariana).

No útero, fora do seu corpo, pode se implantar no colo (cervical) e no interstício tubário intersticial ou cornual).

 

FATORES DE RISCO

- Idade entre 25 e 34 anos

- Infertilidade – risco 4 vezes maior

- Doenças sexualmente transmissíveis, especialmente Chlamydia

- Antecedente de laqueadura ou reconstrução tubária

- Paciente usuária de DIU

- Endometriose

 

QUADRO CLÍNICO

As manifestações clínicas surgem tipicamente entre 6 e 8 semanas após o último período menstrual normal, mas podem ocorrer mais tardiamente se a gravidez estiver fora da trompa.

Os sintomas da gravidez inicial normal também estão presentes: aumento da sensibilidade mamária, náuseas e polaciúria.

Na maioria das vezes a prenhez tubária íntegra é assintomática e só se manifesta na ocasião da rotura.

Já a prenhez abdominal pode evoluir até alcançar o termo.

Os sintomas clássicos da prenhez ectópica são:

- Dor abdominal

- Atraso menstrual

- Sangramento vaginal irregular

 

DIAGNÓSTICO E CONDUTA

O diagnóstico da gravidez tubária interrompida é mostrado na tabela que se segue.


Tabela 1 - Diagnóstico da gravidez tubária interrompida.

 

Idealmente o diagnóstico deve suspeitado antes que o quadro clínico se apresente, pois permite diferentes abordagens.


PRENHEZ TUBÁRIA ÍNTEGRA

Conduta cirúrgica: laparoscopia ou operação a céu aberto.

Tratamento conservador: Methotrexate (MTX), 50mg IM em dose única quando:

- paciente hemodinamicamente estável

- saco gestacional ≤ 3,5 cm

- dosagem de β-hCG ≤ 5.000 mUI/ml

- ausência de atividade cardíaca fetal.

Solicitar hemograma e provas de função hepática e renal antes de iniciar o tratamento.

Cerca de 15 a 20% das pacientes irão necessitar de segunda dose, e menos de 1% de mais de duas doses.

Dosar o β-hCG no dia 1 (dia da administração) e no dia 7. Administrar segunda dose se não houver queda de 15% do valor obtido no dia 1. Recomenda-se no máximo 3 doses.

Repetir dosagem semanal do ß-hCG até que seja indetectável.

Durante o tratamento com MTX evitar:

- Toques vaginais (risco de rotura),

- Relações sexuais

- Exposição ao sol (risco de dermatite pelo MTX

- Antiinflamatórios não esteroidais (AINEs), pelo risco de anemia aplástica e toxicidade gastrointestinal quando associados ao MTX.

 

CONDUTA CONSERVADORA:

- Pacientes com GE inicial e níveis baixos (< 1.000mUI/ml) de β-hCG são as candidatas.

- Aproximadamente 20 a 30% das GE estão associadas a níveis decrescentes de β-hCG. Mais de 80% dos casos evoluem para resolução espontânea quando os níveis são inferiores a 200 mUI/ml.

- O seguimento deve ser feito a cada 48 horas, com dosagem de β-hCG e ultrassonografia transvaginal.

 

PRENHEZ TUBÁRIA INTERROMPIDA

- Avaliação da volemia materna: sinais vitais, hemograma.

- Reposição volêmica e tratamento do choque hipovolêmico.

- Salpingectomia.

Em casos eventuais admite-se a salpingostomia com microcuretagem tubária e reconstituição da trompa atingida. É conduta alternativa reservada a paciente em boas condições, que deseja filhos e que possui a outra trompa comprometida.

 

LEMBRETES

Administrar imunoglobulina anti-Rh para as pacientes Rh negativo e PAI negativa.

Em 85% das gestações intrauterinas viáveis, a concentração de β-hCG aumenta, no mínimo 66% a cada 48 h durante os primeiros 40 dias da gravidez; apenas 15% das gestações viáveis apresentam elevação inferior.

A menor taxa de elevação registrada, no período de 48 h e associada a gravidez viável, foi de 53%.

Todos os casos selecionados para tratamento clínico com MTX devem ser discutidos com a chefia da obstetrícia.

 

LEITURA SUGERIDA

- CAHILL, D. J.; SWINGLER, R.; WARDLE, P. G. Bleeding and pain in early pregnancy. In: JAMES, D. (Ed.).

High risk pregnancy: management options. 4 th ed. St. Louis: Elsevier: Sunders, 2011. p.57-74.

- MONTENEGRO, C. A. B.; DESMARAIS, C. C. F.; REZENDE FILHO, J. Gravidez ectópica. In:

MONTENEGRO, C. A. B.; REZENDE FILHO, J. Rezende obstetrícia. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabrara Koogan, 2013. p. 390-401

- UPTODATE. Tests for suspected ectopic.pregnancy, 2013. Organograma. Disponível em:

<http://www.uptodate.com/contents/image?imageKey=OBGYN%2F80606&topicKey=OBGYN%2F5487&rank=1~150&source=see_link&utdPopup=true>. Acesso em: 19 ago. 2013.

 

Fonte: Visite o site Maternidade Escola UFRJ