Síndrome de Brachmann-De Lange
A Síndrome de Brachmann-De Lange é causada por mutações em
um ou mais genes que afetam o desenvolvimento antes e após o nascimento.
Foi descrita pela primeira vez em 1916, pelo médico W. Brachmann, em autópsias. Em 1933, as características foram descritas posteriormente, por Cornélia de Lange, o que deu-lhe o nome de Brachmann de Lange.
Sua incidência varia entre 1:30000-1:50000 recém nascidos
vivos, sem predileção racial.
Até o presente momento foram descritos muitos casos, mas
nenhum confirma a verdadeira etiologia desta síndrome. Todas as existências são
baseadas em conjecturas, que podem ter origens genéticas, teratogênicas ou até
mesmo de causas não completamente compreendidas, já que novas perspectivas
emergem a cada situação singular.
Mutações no gene NIPBL, o homólogo humano do Drosófila Nipped B, foi recentemente encontrado em 20-50% dos casos, sendo uma alteração autossômica dominante. Raros casos da síndrome têm sido associados à translocações cromossômicas, sempre relacionadas a alterações em cromossomos paternos. No entanto, a grande maioria dos casos são esporádicos e o pequeno número de casos familiares da síndrome dificultam a identificação de alterações genéticas que poderiam estar relacionadas com o fenótipo da CDLS.
Os pacientes vivem cerca de um ano, mas podem atingir a
idade adulta, irá variar de acordo com o comprometimento intelectual que,
quanto mais severo, mais elevada será a mortalidade, e os menos comprometidos podem
levar uma vida quase normal podendo até gerar filhos. Os fatores letais mais
frequentes são defeitos cardíacos congênitos (mais comum são os defeitos do
septo ventricular), pneumonia por distúrbio de deglutição e aspiração além de
infecções.
Criança portadora da síndrome - alterações típicas:
hipertricose, sinófilis, filtro longo, cílios longos e curvos, alterações de
extremidade de membro superior
O diagnóstico da CdLS, apesar de todos os avanços no campo
dos estudos genéticos, baseia-se nas características clínicas. O acompanhamento
pré-natal pode facilitar o diagnóstico, pois através da ultrassonografia é
possível constatar uma ou mais anomalias da síndrome como deformação dos
membros e o pequeno crescimento e desenvolvimento fetal.
As características utilizadas para efetuar o diagnóstico de CdLS são as seguintes:
O quadro clínico é bastante característico, sendo que o
acometimento varia em intensidade, número de segmentos afetados, nível de
disfunção e agressividade do comprometimento. Ele pode apresentar:
Déficit pôndero-estatural,
Retardo de crescimento pré e pós-natal,
Micro e braquicefalia,
Frontal alto,
Glabela proeminente,
Cútis marmórea,
Maxilas alongadas e proeminentes (prognatismo),
Os cabelos têm uma implantação baixa tanto na fronte quanto
na nuca,
Orelhas inclinadas e de implantação baixa,
Face sindrômica,
Olhos com fendas oblíquas para baixo
Sobrancelhas fundidas na linha média,
Hirsutismo (excesso de pelos) na região frontal, lábio
superior, região posterior do tronco e antebraço,
Cílios longos,
O nariz é pequeno, largo, proeminente e possui a base
deprimida,
Narinas voltadas para cima,
Há um aumento da distância entre o nariz e a comissura
labial,
Microrretrognatismo,
Os lábios, especialmente o superior, são finos e inclinados
para baixo, caracterizando uma "boca de carpa",
Dentes pequenos e espaçados,
Palato posterior fendido,
Palato arqueado e elevado,
Tronco cilíndrico,
Distância intermamilar aumentada,
Hipoplasia dos ossos dos membros superiores,
Mãos e pés pequenos,
Existe a ausência de dedos na porção ulnar da mão,
Ânus anteriorizado,
Alterações no sistema genitourinário masculino: hipoplasia
na genitália externa, retenção dos testículos (criptorquidia), abertura
congênita anormal da uretra na face inferior do pênis ou do escroto
(hipospadias),
Comprometimento mental,
Autismo,
Pode haver hipertonia,
Anormalidade de membros (comumente os membros superiores
apresentam: micromielia, focomielia, oligodactilia e a sindactilia do segundo e
terceiro dedo é encontrada nos membros inferiores, assim como a monodactilia).
Embora a localização exata do gene responsável pela CdLS não
seja conhecida, pesquisas estão em andamento com a esperança de identificar o
marcador genético nos próximos cinco anos.
Avanços no Tratamento
Embora não haja cura para a Síndrome de Brachmann-De Lange,
os tratamentos estão evoluindo. Terapias focadas no desenvolvimento de
habilidades sociais e cognitivas, bem como o manejo de problemas de saúde
associados, estão ajudando a melhorar a qualidade de vida. Além disso, a
pesquisa genética está desvendando as bases moleculares da síndrome, o que pode
levar a novas abordagens terapêuticas no futuro.
Fisioterapia
Prevenção das deformidades do sistema musculoesquelético
Criação de um vínculo entre terapeuta-paciente
Tratamento de deformidades já instaladas
Estimulação funcional
O objetivo é o desenvolvimento da marcha com apoio e, se
possível, de forma independente.
Exercícios de equilíbrio na posição ortostática, exercícios
de transferências e posicionamento e alongamentos globais.
Exercícios respiratórios, desobstrutivos, e reexpansivas, se
necessário aspiração brônquica.
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