Síndrome de Rett
A Síndrome de Rett (SR) é uma desordem do desenvolvimento
cerebral de origem genética, caracterizada por uma deteriorização neuromotora
progressiva. Primeiramente descrita em 1966 pelo pediatra austríaco Andréas
Rett, a condição foi observada em 22 meninas que exibiam uma desordem
neurológica marcada por atraso do desenvolvimento psicomotor, ataxia,
estereotipias das mãos e convulsões. No entanto, a divulgação e compreensão
plena da SR só se deram anos depois, com estudos mais aprofundados e revisões
de literatura.
Inicialmente, acreditava-se que a SR estava ligada ao
cromossomo X dominante e afetava exclusivamente crianças do sexo feminino,
sendo letal para os meninos. Contudo, casos posteriores revelaram que essa
condição poderia se manifestar em meninos, especialmente quando associada a
outras encefalopatias graves ou síndromes genéticas como a síndrome de
Klinefelter. O advento da identificação da mutação no gene MECP2 em pacientes
com SR, a partir de 1999, confirmou sua base genética.
A evolução da SR ocorre em fases, embora não siga um padrão
regular em todas as crianças. Os estágios clínicos, divididos segundo critérios
estabelecidos por Hagberg e Witt-Engerstrom, compreendem:
Estagnação Precoce: Inicia-se entre seis e dezoito meses de idade, caracterizada pela desaceleração do crescimento do perímetro cefálico, estagnação do desenvolvimento motor, hipotonia e perda de habilidade de comunicação.
Rapidamente Destrutivo: Surge entre um e três anos de idade, marcado por regressão psicomotora, comportamento autista, distúrbios do sono e crises convulsivas.
Pseudo-Estacionário: Ocorre entre os dois e dez anos, com melhora parcial de sintomas autistas, mas com severo comprometimento intelectual e distúrbios motores evidentes.
Deterioração Motora Tardia: Inicia-se por volta dos dez anos, marcada pela progressão lenta dos déficits motores, distonia, aparecimento de sinais decorrentes de lesões do neurônio motor periférico e, frequentemente, o uso de cadeira de rodas.
O diagnóstico da SR requer a exclusão de outras condições
neurológicas e metabólicas. A identificação de reduções significativas em
regiões cerebrais específicas em exames de imagem e a presença de mutações
genéticas, especialmente no gene MECP2, são fundamentais para o diagnóstico
preciso.
O tratamento da SR visa melhorar a qualidade de vida do
paciente e minimizar o impacto dos sintomas. A fisioterapia desempenha um papel
crucial nesse processo, focando em manter e melhorar a função motora, prevenir
deformidades e retardar a progressão da doença. Métodos como cinesioterapia,
hidroterapia e hipoterapia (seguimento da equoterapia) são comumente utilizados para reduzir o tônus
muscular espástico, promover o alongamento muscular e fortalecer grupos
musculares debilitados.
A abordagem terapêutica também inclui o uso de órteses para
alinhamento postural, aplicação de calor e frio para diminuir a espasticidade,
além de massagens e técnicas de relaxamento muscular. A hidroterapia oferece
uma abordagem suave para melhorar o controle motor e a força muscular, enquanto
a hipoterapia proporciona benefícios adicionais, incluindo ganho de amplitude
de movimento e melhora do tônus muscular.
Em suma, a Síndrome de Rett é uma condição complexa que
demanda uma abordagem multidisciplinar para o manejo dos sintomas e a promoção
da qualidade de vida dos pacientes. Com intervenções adequadas, é possível
maximizar o potencial funcional e minimizar o impacto das limitações impostas
por essa desordem neurológica progressiva.
0 Comments
Postar um comentário
Tem dúvidas, sugestões?