Tratamento Fisioterapêutico para Lesões nos Tendões Flexores da Mão
Lesões nos tendões flexores da mão são graves e podem prejudicar significativamente a função da mão. Essas lesões geralmente resultam de lacerações ou traumas e requerem um plano de reabilitação abrangente para garantir uma recuperação ideal. Um plano de tratamento fisioterapêutico baseado em evidências pode ajudar a restaurar a função da mão, reduzir a dor e prevenir complicações.
Fase 1 - Avaliação Inicial e Mobilização Precoce (Semanas 1-3)
Objetivo
- Proteger o tendão reparado.
- Minimizar a dor e a inflamação.
- Iniciar movimento controlado para evitar aderências.
Avaliação
- Avaliar a extensão da lesão e a reparação cirúrgica.
- Medir a amplitude de movimento (ADM) e observar qualquer edema ou nível de dor.
- Avaliar a capacidade do paciente de realizar movimentos passivos e ativos.
Intervenções
- Imobilização Protetora: Usar uma tala dorsal (DBS) para manter o punho em leve flexão e as articulações metacarpofalângicas (MCP) em neutro ou leve flexão para evitar a ruptura do tendão.
- Movimento Passivo (ADM Passiva): Iniciar com exercícios de flexão e extensão passiva dos dedos dentro dos limites da tala, três a cinco vezes por dia.
- Controle da Dor: Utilizar crioterapia (terapia com frio) e elevação para controlar edema e dor. Incentivar movimentos suaves para evitar rigidez sem comprometer a reparação.
Evidências
- O movimento passivo controlado precoce demonstrou reduzir o risco de formação de aderências e melhorar os resultados em reparos de tendões .
Fase 2 - Fase Intermediária (Semanas 4-6)
Objetivo
- Aumentar gradualmente o deslizamento do tendão.
- Iniciar exercícios de movimento ativo (ADM Ativa).
- Continuar protegendo o tendão contra tensão excessiva.
Avaliação
- Reavaliar ADM, força e níveis de dor.
- Monitorar sinais de aderências do tendão ou tensão excessiva.
Intervenções
- Exercícios de ADM Ativa: Iniciar com exercícios suaves de flexão e extensão ativa, garantindo que os movimentos sejam sem dor e dentro de um intervalo seguro. Realizar exercícios de deslizamento tendinoso para incentivar o deslizamento diferencial dos tendões flexores.
- Controle de Cicatriz: Iniciar técnicas de mobilização de cicatriz para evitar a formação de cicatrizes espessas e restritivas.
- Ajuste da Tala: Gradualmente reduzir o uso da tala dorsal conforme orientação do cirurgião ou com base no progresso do paciente.
Evidências
- Exercícios de ADM Ativa demonstraram melhorar o deslizamento do tendão e reduzir complicações, como rigidez articular e aderências tendinosas, quando iniciados na fase apropriada .
Fase 3 - Fortalecimento e Recuperação Funcional (Semanas 7-12)
Objetivo
- Aumentar a força do tendão.
- Melhorar a função da mão para atividades diárias.
- Reduzir qualquer rigidez ou edema residual.
Avaliação
- Testar os aprimoramentos de força usando dinamômetros de preensão e pinça.
- Reavaliar ADM e uso funcional da mão.
Intervenções
- Exercícios de Fortalecimento: Introduzir exercícios suaves de fortalecimento usando massa terapêutica, faixas elásticas ou pesos leves. Focar no fortalecimento dos tendões flexores, mas também incluir exercícios para extensores do punho e dedos para manter o equilíbrio.
- Treinamento Funcional: Envolver o paciente em treinamento específico de tarefas para melhorar habilidades motoras finas, como abotoar, digitar ou segurar pequenos objetos.
- Continuação do Controle de Cicatriz: Utilizar técnicas de massagem, folhas de gel de silicone e, possivelmente, terapia de ultrassom para garantir uma cicatrização e maleabilidade ótimas da cicatriz.
Evidências
- Exercícios de fortalecimento progressivo são cruciais para recuperar a função completa da mão e prevenir novas lesões. O treinamento funcional melhora a aplicação prática dos ganhos de força, garantindo que o paciente possa retornar às atividades diárias .
Fase 4 - Fortalecimento Avançado e Retorno às Atividades (Semanas 12+)
Objetivo
- Retornar à força e função pré-lesão.
- Prevenir recidivas ou complicações.
- Garantir prontidão psicológica para a retomada completa das atividades.
Avaliação
- Avaliação final da força, ADM e capacidade funcional.
- Avaliar prontidão para retorno ao trabalho ou esportes.
Intervenções
- Fortalecimento Avançado: Progredir para resistência mais pesada e movimentos mais complexos. Focar em resistência e força funcional relevantes às necessidades específicas do paciente.
- Treinamento de Retorno ao Trabalho: Se o trabalho do paciente envolver trabalho manual, incorporar tarefas específicas que ele enfrentará no trabalho.
- Apoio Psicológico: Abordar qualquer medo ou ansiedade que o paciente possa ter sobre novas lesões. A reintrodução gradual às atividades, com garantia e técnica adequada, pode ser benéfica.
Evidências
- Pesquisas indicam que abordar componentes físicos e psicológicos na fase final é fundamental para prevenir recidivas e garantir um retorno bem-sucedido às atividades .
Conclusão
Uma abordagem baseada em evidências para a fisioterapia em lesões nas mãos, particularmente em lesões nos tendões flexores, pode melhorar significativamente os resultados. Seguindo um plano estruturado que incorpore medidas protetoras, mobilização controlada, fortalecimento progressivo e treinamento funcional, os pacientes podem alcançar uma recuperação completa e retornar às suas atividades diárias. Avaliações regulares e adaptações ao plano de tratamento são cruciais para atender às necessidades individuais de cada paciente.
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